Como o blockchain vai impactar o mercado de seguros

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Em tempos de transformação digital e mudanças em alta velocidade no mercado, o blockchain vem sendo considerado uma ferramenta valiosa por trás de soluções para registro de transações de diversos tipos para companhias de diferentes setores. A tecnologia, que para muitos analistas representa a maior inovação desde a criação da internet, está causando mudanças profundas e significativas nos mercados que já sentem seu impacto, como o financeiro, o de saúde e o do agronegócio. Seus registros invioláveis, inalteráveis e descentralizados permitem que processos tradicionalmente lentos – como transferir uma propriedade ou fazer um empréstimo – sejam acelerados e se tornem à prova de fraudes. Some a isso o uso de smart contracts e a capacidade do blockchain de aportar mais eficiência, velocidade e transparência às transações e fica fácil entender porque ele se torna tão interessante também para a área de seguros.

A maior concorrência e o aumento do conhecimento e do interesse das pessoas a respeito dos seguros são dois fatores que vêm causando o aperfeiçoamento desse mercado. O blockchain surge, então, como uma forte tendência para melhorar o relacionamento das organizações com o seu público ao agilizar rotinas e reduzir custos e riscos nas diferentes operações. Em processos de sinistro, desde o aviso até o pagamento, ou ainda na análise de seguros e dos riscos envolvidos na admissão da apólice, a tecnologia já se mostra eficaz e veloz.

E, em consonância com a digitalização e o posicionamento do consumidor no centro dos negócios, as seguradoras também querem oferecer serviços e produtos mais personalizados, mirando públicos e perfis específicos, como seguros especialmente desenvolvidos para mulheres, para estudantes em intercâmbio ou pequenos empreendedores, por exemplo.

Entre os vários exemplos dos benefícios que o setor de seguros está descobrindo no uso do blockchain, podemos citar uma plataforma de seguros P2P (peer-to-peer) que adota a tecnologia e os smart contracts para gerenciar a concessão de seguro desemprego complementar.

É a modernização chegando aos mais diferentes ramos de seguros, inclusive com a formação de parcerias com organizações ligadas aos vários setores do mercado. Com essas parcerias, amplia-se o alcance das seguradoras a usuários não cobertos pelas redes tradicionais de corretagem.

O blockchain também ajuda a responder um grande desafio deste mercado que é melhorar o estabelecimento das políticas de uso do bem a ser segurado, validar os pedidos e requisições, permitindo acompanhar o status das solicitações detalhadamente e de forma rápida.

Um exemplo de adoção da tecnologia pode ser visto na Allianz Global Corporate & Specialty, que atua com seguros em mais de 160 países. Usando um processo de blockchain, a solução se liga a uma API para receber instruções e realizar pagamentos, com dólares americanos e eventualmente outras moedas. O processamento automatizado substitui a troca de milhares de e-mails e arquivos de dados maciços, o que demonstra que as transações regulares, como a transferência de dinheiro entre seguradoras e clientes, podem ser aceleradas e simplificadas.

Outro exemplo bastante conhecido é o uso da tecnologia para registro e seguro de bicicletas na Holanda. Com a grande quantidade de ciclistas e a alta taxa de roubos desses veículos, para fazer seguro deles é necessário registrá-los. As seguradoras, então, disponibilizam cadeados ligados ao blockchain que, por meio de dispositivos de IoT, registram hora, data e local em que eles foram abertos e fechados. Se houver furto ou roubo da bicicleta, a empresa tem os dados necessários para verificar se os procedimentos de segurança (definidos em contrato) foram cumpridos. Isso torna o pagamento do seguro mais ágil, além de diminuir o custo das operações das apólices. Disrupção é isso: oferta de um serviço novo que significa, para o cliente, mais velocidade e qualidade com menor custo, isto é, uma ótima experiência.

Benefícios do Blockchain para o mercado de seguros:

Benefícios do Blockchain para o mercado de seguros

A economia compartilhada – quando um bem tem vários donos – representará, em 2025, metade de todo o setor de locação. Um bom exemplo é o Uber, um serviço em que o bem particular – o automóvel – acaba sendo utilizado com finalidade comercial em parte do tempo. Se considerarmos que o uso comercial aumenta, em média, em 30% o valor do seguro do carro, já percebemos a importância, também nesse cenário, de uma solução que permita contemplar essas variáveis.

Com o blockchain, a seguradora poderá aferir com precisão o tipo de uso do veículo. Utilizando a API aberta do Uber, por exemplo, as companhias poderão ter acesso a todas as informações do uso comercial assim que o motorista ligar o carro, a partir do registro do início do trabalho e da transação de cada viagem feita. No final do mês, uma fatura mostra quantas foram horas destinadas para uso profissional e quantas para uso pessoal, permitindo aplicar o perfil de risco e de cobertura proporcionais.

Levando em consideração o fato de que apenas 24% dos carros têm seguro, pode-se prever o crescimento dessa base segurada a partir da possibilidade de segurar o automóvel de acordo com seu uso real. Por exemplo, se a maior parte do uso é profissional, é possível oferecer uma cobertura contra acidentes de terceiros maior do que aquela de finalidade pessoal.

A solução entrega benefícios para ambos os lados. O segurado obtém um preço justo de acordo com seu perfil de uso, transparência nas informações e flexibilidade na contratação de coberturas, na habilitação de bens compartilhados e um atendimento mais personalizado. Para a seguradora, as vantagens incluem o aumento da prateleira de serviços, a aferição do uso real dos bens pelo segurado e uma base de dados muito mais precisa para fazer os cálculos atuariais necessários e de risco.

Outra possibilidade que o blockchain oferece é a criação de micro contratos de seguros. Você tem o seguro do seu carro particular e pode contratar um adicional de guincho para viagens longas ou um adicional para os finais de semana em que o seu filho adolescente vai utilizar o carro, por exemplo. Para quem deseja entrar neste mercado, essa pode ser a maneira mais fácil e com menos burocracia.

As vantagens do blockchain são altamente compatíveis com as demandas desse mercado, que ganha força com as características da tecnologia como a garantia de confiabilidade, velocidade e transparência nas operações. Porém, ele não é uma solução universal. Em operações mais simples, em que a resposta pode ser ‘sim’ ou ‘não’, a tecnologia se encaixa como uma luva. Veja algumas das características dos problemas que a tecnologia pode ajudar a solucionar:

Quando o blockchain pode solucionar problemas

Por outro lado, em situações que exigem interpretações mais complexas, só a tecnologia é insuficiente: ela não substituiria a necessidade de uma assistência humana em relação a regulações ou a questões jurídicas, por exemplo. Por esse motivo, o uso ou não do blockchain em alguma solução digital deve ser cuidadosamente avaliado. Se ele faz sentido, o momento é de apostar e realizar testes para desenvolver o melhor produto para o seu cliente.

Como já mencionado, o blockchain pode trazer benefícios valiosíssimos para empresas do setor de seguros. Qual companhia não adotaria uma tecnologia que além de diminuir custos e riscos e melhorar a relação com os clientes ainda pode reduzir o tempo do processo de emissão de uma apólice de cinco ou seis meses para um máximo de 30 dias? Quem começar antes, terá vantagens competitivas fundamentais em relação aos concorrentes.

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